Reformador, dezembro 1953, p. 279.
O êxito dos falsos profetas, em nossa vida, surge na proporção de
falsidade que ainda abrigamos em nosso próprio espírito.
O ouro tenta o homem, mas não move o interesse do corvo. Os detritos
atraem o corvo, mas apenas provocam a repugnância do homem.
Somos tentados invariavelmente de acordo com a nossa própria natureza.
A perturbação não lançaria raízes no solo de nossa alma, se aí não
encontrasse terreno adequado.
Não nos libertaremos, assim, das forças enganadoras que nos cercam, sem a
nossa própria libertação dos interesses inferiores.
O ouvido que oferece asilo à calúnia é cultor da maledicência.
A boca que se detém na resposta ao insulto naturalmente estima a produção
verbal de crueldade e sarcasmo.
Quem muito se especializa na contemplação do charco, traz o pântano
dentro de si.
Quem se consagra sistematicamente à fuga do próprio dever, aceita a
comunhão com criaturas indisciplinadas como se convivesse com mártires e
heróis.
Quem apenas possui visão para a crítica, encontra prazer com os censores
inveterados e com os incuráveis pessimistas, que somente identificam a treva ao
redor dos próprios passos.
Tenhamos cautela em nós mesmos, a fim de que a nossa defensiva contra a
mentira e contra a ilusão funcione, eficiente.
Não seríamos procurados pelos adversários da luz se não cultivássemos a
sombra.
Jamais ouviríamos o apelo às nossas vaidades se não vivêssemos reclamando
o envenenado licor da lisonja ao nosso próprio «eu» enfermiço.
Procuremos as situações e os acontecimentos, as criaturas e as coisas
pelo bem que possam produzir, nunca pelo estímulo ao nosso personalismo.
desregrado, e o problema da tentação degradante estará resolvido em nossa
marcha.
«A árvore é conhecida pelos frutos» — ensina o Senhor —, e seremos
queridos e admirados pelos Espíritos que nos rodeiam, de acordo com os nossos
próprios pensamentos e as nossas próprias obras.
Sejamos fiéis ao Senhor, na prática do amor puro, em qualquer confissão
religiosa a que nos afeiçoemos, e as forças infiéis à verdade não encontrarão
base em nossa vida, de vez que a Vontade Divina, e não o nosso capricho, será
então a luz santificadora de nossos próprios corações.
(Página recebida pelo médium
Francisco Cândido Xavier, na reunião pública da noite de 11-5-53, em Pedro Leopoldo.)